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A importância da metrologia na análise de alimentos

Autor: Categoria: Gestão
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A análise de alimentos é um ramo muito importante da química analítica, capaz de fornecer informações sobre composição química, processamento, controle de qualidade (QC) e contaminação de alimentos, garantindo o cumprimento das leis alimentares e comerciais. 

Geralmente na análise de alimentos, há a necessidade de introduzir os conceitos metrológicos em medidas químicas e biológicas. Isso com o objetivo de identificar substâncias adulterantes contaminantes ou nocivas presentes em alimentos e verificar se sua quantidade não exceda os limites permitidos por lei.

Outro propósito ambicioso é a certificação da origem dos produtos alimentícios, também para proteger marcas e rótulos de valor econômico e culturais, e permitem determinar a composição e rastrear a origem dos alimentos.

A metrologia e os alimentos

Os conceitos da metrologia incluem a definição e realização de unidades de medição internacionalmente aceitas e a rastreabilidade (metrológica) avaliando a incerteza em relação às medições de padrões de referência nacionais e internacionais. É definida como “a ciência da medição, abrangendo tanto determinações experimentais quanto teóricas em qualquer nível de incerteza em qualquer campo de ciência e tecnologia” (BIPM, 2017).

A metrologia fornece as ferramentas para tornar os resultados de medição confiáveis e comparáveis. E certamente a qualidade das medições desempenha um papel fundamental, não somente apoiando a qualidade dos produtos e serviços, mas também fortalecendo a base de conhecimento para a tomada de decisão nos setores da segurança alimentar.

Neste contexto, o uso de materiais de referência (principalmente certificados) desempenha um papel importante na adoção de conceitos metrológicos. Materiais de referência certificados  são ‘controles’ ou padrões usados ​​para verificar a qualidade e a rastreabilidade metrológica dos produtos, para validar métodos de medição analítica, garantir a qualidade de processos ou para a calibração de instrumentos. Como por exemplo os cromatógrafos capazes de detectar a substância que se quer medir num determinado produto.

Atualmente os materiais de referência estão disponíveis para um número bastante limitado de parâmetros, matrizes, os que os torna utilizáveis apenas para um número restrito de métodos, e muitas vezes com custo elevado.

Complementar ao uso de materiais de referência, a qualidade e rastreabilidade dos resultados de medição devem ser assegurados por uma calibração adequada dos equipamentos, especialmente os itens críticos. Assim, a cadeia de rastreabilidade definida como uma sequência de padrões e calibrações que formam um elo entre um resultado de uma medição e uma referência deve ser estabelecida e mantida.

Confiabilidade das medições

A preocupação com a confiabilidade das medições químicas, no mundo todo, é bastante recente e a química é uma área da metrologia que ainda está em expansão. A divisão de metrologia química do Inmetro que integra a diretoria de metrologia científica e industrial foi criada em 2000. 

Para se ter uma ideia, o Bureau Internacional de Pesos e Medidas (BIPM) que reúne todos os institutos nacionais de metrologia foi criado em 1875. O Comitê Consultivo de Quantidade da Matéria (CCQM) relativo à metrologia química e que integra o BIPM foi criado somente em 1993.

No Brasil, o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) ocupa o topo da hierarquia metrológica, ou seja, é ele quem produz Materiais de Referência (MR) e Materiais de Referência Certificados (MRC) em conformidade com critérios aceitos internacionalmente estabelecidos na norma ABNT NBR ISO 17034.

O INMETRO pesquisa e desenvolve materiais de referência, certificados para medições a serem feitas por outros laboratórios, públicos ou privados, podendo estes laboratórios desenvolver padrões primários, aqueles que possuem a mais alta qualidade metrológica e não precisam ser comparados a nenhum outro padrão, e materiais de referência secundários, que ainda sim respeitam a cadeia de rastreabilidade.

A partir de uma série de regulamentações e normas e das comparações entre os laboratórios, a cadeia permite rastrear a procedência do material de referência, garantindo-se, assim, a sua qualidade e confiabilidade.