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Periodicidade da calibração, onde devo começar?

Autor: Categoria: Indústria
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Um dos efeitos do uso dos instrumentos de medição é o seu desgaste. Com isso, a qualidade dos resultados fornecidos pelo instrumento de medição tende a se deteriorar e o erro de medição tende a aumentar. O erro de medição está inserido nos processos que utilizam esse instrumento de medição, portanto conhecer o erro de medição é fundamental.

A calibração é o procedimento realizado quando desejamos conhecer o erro de medição. E como o erro de medição tende a aumentar ao longo do uso, precisamos realizar a calibração em intervalos regulares. Normas de sistemas de gestão da qualidade, gestão ambiental, entre outras, estabelecem a necessidade de definir um intervalo de calibração dos instrumentos de medição utilizados para garantir a qualidade de produtos e processos.

Mas como determinar esse intervalo, essa periodicidade da calibração? Nesse artigo, iremos apresentar algumas boas práticas para a definição da primeira periodicidade da calibração. Além disso, veremos quando podemos ou devemos alterar essa periodicidade.

Os riscos da medição

Quando não conhecemos o erro de medição ou não o monitoramos, estamos inserindo riscos ao processo de medição. Usualmente, a medição é utilizada para a tomada de decisão em processos de produção, laboratórios de controle de qualidade, recebimento de matéria prima, etc. Por meio do resultado da medição, aprovamos ou reprovamos um produto, uma matéria prima, um lote de produção, etc.

Assim, quando a medição apresenta um erro desconhecido, temos os riscos da medição: Tipo I e Tipo II. O risco tipo I é a falsa aceitação de um produto (risco do consumidor) e o risco tipo II é a falsa rejeição de um produto (risco do produtor). Uma periodicidade de calibração adequada ajuda muito na redução desses riscos.

Definindo a primeira periodicidade

Um dos problemas ao definir a periodicidade inicial é a ausência de informações históricas sobre o comportamento do erro de medição do instrumento. Entretanto, sempre devemos considerar alguns cuidados técnicos para evitar problemas maiores no futuro.

O primeiro ponto que devemos considerar é que entre duas calibrações sucessivas, a deterioração do instrumento de medição não deve levar a erros de medição maiores que os valores de erros máximos admissíveis, ou seja, a variação do erro entre uma calibração e outra não deve ser maior que o permitido, caso isso ocorra é preciso ajustar ou reparar o instrumento de medição (quando possível).

São exemplos de informações técnicas a serem avaliadas na definição da periodicidade inicial da calibração:

  • informações de fabricantes;
  • habilidade e treinamento do usuário;
  • precisão de medição requerida;
  • condições de uso agressivas;
  • muitos usuários do instrumento;
  • uso diário ou constante do instrumento;
  • erros máximos aceitáveis;
  • normas;
  • regulamentos técnicos;
  • entre outras informações.

Alem disso, vale ressaltar: determinar a adequada periodicidade de calibração, que considera e equilibra o risco envolvido na medição com erro e o custo, é fundamental para as atividades de medição e produção.

Uma dica é que a periodicidade inicial seja menor (com um perídio reduzido entre as calibrações) para a obtenção de um histórico e uma análise mais adequada para a definição de uma nova periodicidade.

Alterando o intervalo de calibração

Uma vez determinada a periodicidade inicial e algumas calibrações realizadas, é possível avaliar um histórico das calibrações. Com o histórico é possível realizar uma análise na periodicidade inicial e, caso possível, alterá-la.

Ferramentas estatísticas como cartas de controle e o método de Schumacher são exemplos de métodos que podem ser utilizados para alterar a periodicidade de calibração de forma adequada e confiável, equilibrando o risco do erro de medição e o custo.

A periodicidade da calibração adequada reduz custos

O intervalo de calibração definido de forma adequada e com critérios técnicos não deve ser alterado somente por questões de custo. Na imensa maioria dos casos, os riscos e custos envolvidos em um plano de  calibração com uma periodicidade adequada são muito menores que problemas com produção, qualidade ou clientes.